Estudo aponta que câncer de pulmão é o que mais mata no Brasil e no mundo

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Estudo aponta que câncer de pulmão é o que mais mata no Brasil e no mundo

A apresentadora de TV, Ana Maria Braga, revelou ontem (27) que foi diagnosticada com um novo tumor de pulmão. Ela já tratou no passado o mesmo tipo de câncer e já está sendo submetida ao devido tratamento em busca da cura. Um estudo realizado em 2019 pelo Instituto Oncoguia traçou o panorama do câncer de pulmão no Brasil.

 

Os dados apresentados mostram evolução principalmente na luta contra o tabagismo, responsável por cerca de 85% dos casos deste tipo de tumor, mas também desafios importantes para o futuro, principalmente em relação ao diagnóstico precoce, notificação dos casos da doença e investimento em pesquisas.

O tumor de pulmão é o tipo de câncer que mais mata no país. Dois dos fatores que contribuem para esse cenário, segundo a oncologista Clarissa Mathias, são a subnotificação dos casos e o diagnóstico tardio da doença, o que resulta no alarmante dado de que 92% dos casos decorrem em morte, conforme apontou o levantamento.

“Os dados trazidos pelo Panorama do Câncer de Pulmão mostram que há um grande déficit em relação à notificação de casos no país, o que nos impede de ter uma visão mais clara e ampla do problema para combatê-lo. E, quando identificados, chegam nos hospitais em estágio onde já não é possível de ser tratado”, diz.

Os números comprovam a fala da médica. Em 2016, 86,2% desses pacientes já apresentavam estágios avançados da doença, o que diminui as chances de cura consideravelmente. No Nordeste, a situação é ainda pior, como aponta Clarissa. Em Sergipe, por exemplo, 100% deles estavam nessa situação. Para ela, apesar de ter incidência menor do que em outros países, como os Estados Unidos, no Brasil, o câncer de pulmão é responsável por muito mais mortes.

“É essencial ampliar as ações de conscientização da população em geral por meio de campanhas informativas sobre as causas da doença, hábitos nocivos à saúde e estimular o entendimento da importância do diagnóstico precoce. Além disso, precisamos incentivar pesquisas clínicas no país, que podem ajudar a ampliar o acesso ao tratamento”, ressalta a oncologista.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), apenas 24,6% dos casos são notificados no país. Estimativas apontam a ocorrência de 28.220 novos casos atualmente, porém o Registro Hospitalar do Câncer (RHC) tem oficialmente listados apenas 6.915.

Tabagismo ainda é a principal causa de câncer 

O tabagismo continua sendo o maior responsável pelo câncer de pulmão no Brasil e no mundo. Aliás, não apenas deste tipo de tumor: em 2017, segundo o Inca, 73.500 pessoas foram diagnosticadas com algum tipo de câncer provocado pelo tabagismo no país e 428 pessoas morrem diariamente no país por conta dele.

O instituto aponta ainda que mais de 156 mil mortes poderiam ser evitadas anualmente se o tabaco fosse evitado. Em 79% dos casos de câncer de pulmão, por exemplo, os pacientes eram fumantes, ou ex-fumantes. Apenas 21% nunca tiveram contato com o tabaco.

Cigarro eletrônico

A oncologista Clarissa Mathias ressalta ainda que a chegada do cigarro eletrônico, que tem conquistado principalmente os jovens, deve ser um ponto de alerta para a sociedade. “Nós vemos novas formas de tabagismo chegando, como esse dispositivo tecnológico. Estamos vendo uma geração que tinha largado o cigarro, voltar para versões digamos, mais modernas, do mesmo mal”, afirma Clarissa.

Fonte: O Dia

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