Foto do universo demora 1000 horas para ser tirada

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Quando o assunto é fotografia noturna, os fotógrafos sabem que, para obter a melhor foto, são necessárias exposições mais longas. Para absorver mais luz, e fazer com que a foto fique mais nítida e brilhante, é preciso manter a câmera realmente imóvel durante a exposição. Durante esse processo, qualquer movimento pode estragar a foto.

Mas em fotografias comuns, isso significa apenas alguns segundos extras de tempo de exposição. Em algumas situações, talvez minutos e em casos raros, algumas horas. Fotos de galáxias vizinhas fazem parte da rotina de fotógrafos astronômicos. Não é algo raro ver uma imagem colorida de M31 ou M101 com exposições cumulativas de várias horas. No entanto, às vezes algumas imagens se destacam pela sua qualidade e peculiaridade.

Em busca de uma foto perfeita de uma galáxia distante, uma equipe de fotógrafos astrônomos amadores foram muito além do conceito de fotografia noturna. O resultado é o mosaico extremamente profundo e de alta resolução do Large Magellanic Cloud (LMC) que demorou mais de 1000 horas para ser concluído.

A foto em questão é uma compilação de impressionantes 1.060 horas de tempo total de exposição. As imagens que compõem a foto foram capturadas separadamente e então juntadas por uma equipe de astrofotógrafos amadores franceses chamada Ciel Austral.

O registro final mostra o resultado de mais de meio ano de trabalho. Para isso a equipe usou o Telescope Engineering Company TEC 160 e a câmera Morivian G4-16000 CCD. As imagens foram feitas a partir do Observatório El Sauce, no Chile.

A equipe Ciel Austral é composta pelos astrofotógrafos Jean Claude Canonne, Philippe Bernhard, Didier Chaplain, Nicolas Outters e Laurent Bourgon. O grupo observou as estrelas do Large Magellanic Cloud durante sete meses, entre julho de 2018 e janeiro de 2019. Nesse período, eles acumularam um mosaico de 16 painéis coloridos.

Ao final, a imagem revela precisamente até os mais fracos fragmentos de nebulosidade na galáxia a 1,66 segundos de arco por pixel. Na foto, é possível perceber a fisionomia das estrelas e como são abundantes em nossa galáxia vizinha. Além de revelar ainda dezenas de remanescentes de supernovas, nebulosas planetárias e regiões de formação estelar em detalhes.

Está com dificuldade para ver os detalhes da foto? Não se preocupe, a Ciel Austral pensou nisso, e fez uma outra versão da imagem com um zoom ainda mais intenso. No site do grupo, é possível ver a imagem apresentada em cores aprimoradas e versões montadas com imagens filtradas.

Segundo um artigo do blog AstroSpace, a imagem original é formada por 16 campos de visão menores que combinados formam um grande mosaico de 204 milhões de pixels. E o processo de compilação desse mosaico de cores é um grande desafio, já que requer muito poder de computação. Isso resulta em quadros de calibração super pesados, ao final, os dados chegaram a 620 gigabytes. Isso é maior do que a grande maioria dos discos rígidos de computadores convencionais.

Além do período de observação e exposição, a calibração da imagem, montagem do mosaico e processamento final levou mais de três meses de trabalho. Mas ao olhar o resultado final impressionante fica clara que foi um esforço recompensado.

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